Valinhos atua para atrair empresas de logística
O prefeito de Valinhos, na região de Campinas, Marcos José da Silva (PMDB), deve encaminhar em breve à Câmara Municipal um projeto de lei de zoneamento que autoriza o Executivo a comprar um terreno localizado entre a cidade e a vizinha Vinhedo. A intenção é preparar o local para a instalação de novas empresas, principalmente do setor de logística.
Em entrevista exclusiva ao DCI, Silva, em seu terceiro mandato, argumentou que a cidade sofre pela escassez de terrenos para expandir o seu setor industrial. “As áreas disponíveis em Valinhos estão praticamente esgotadas, assim, nós só temos previsão de crescimento vegetativo. A economia só vai crescer se conseguirmos este terreno”, explicou o prefeito, acrescentando que, se não aprovada a compra do terreno, a cidade corre o risco de não conseguir cobrir as despesas do poder público daqui a cinco anos.
Durante a entrevista, Silva contou que a fruticultura, atividade tradicional do município, vem perdendo sua influência e hoje não chega a compor nem 5% da arrecadação municipal. Segundo o prefeito, o fato é decorrente da evolução de outros setores no município, principalmente do comércio, serviços e indústria. Ele contou que um dos principais motivadores do fomento dos setores de comércio, indústria e serviços foi o Programa de Desenvolvimento Econômico de Valinhos, criado em 2005, que garantiu fortes incentivos fiscais a empresários, atraindo muitas empresas.
Confira a entrevista, a seguir.
Qual é a vocação econômica do município?
O município tem toda uma história na área da fruticultura, e isso leva muitas pessoas a achar que a fruticultura é o pilar da nossa economia, o que não é verdade. Este é um setor da cidade que vai se reduzindo. Hoje temos os setores de indústria, comércio e serviços como base da nossa arrecadação. A fruticultura é pouco expressiva em termos econômicos: ela representa apenas 5% da nossa arrecadação.
Por que houve esta forte redução da fruticultura no município?
Por causa da evolução de outros setores da cidade e pela falta de mão de obra fica difícil expandir a produção. Muitas pessoas que tinham produção não encontram mão de obra, ou o filho vai estudar inglês, vai trabalhar em outras cidades e não tem ninguém para dar continuidade. Em alguns casos, investidores interessados no terreno para construção de condomínios propõem aos donos a construção de novas casas para a família, e eles acabam vendendo.
Quais são os principais projetos para desenvolver a economia da cidade?
Valinhos é uma cidade pequena territorialmente, tem apenas 150 quilômetros quadrados, e sua geografia é bastante acidentada, o que dificulta algumas coisas, mais ainda pela restrição ambiental, por ter subsolo rico em recursos hídricos. A única área que resta é um terreno entre Valinhos e Vinhedo que tem condições de abrigar barracões de logística. A compra dessa área é um grande sonho do município, e que nos ajudaria a dar um salto na economia e consolidar a nossa arrecadação. Como as áreas disponíveis em Valinhos estão praticamente esgotadas, nós temos previsão apenas de crescimento vegetativo: a nossa economia só vai crescer se nós conseguirmos esse terreno.
A compra desse terreno seria o principal desafio da sua gestão?
Eu sou prefeito desde 2005. Nós criamos o Prodeval, que é o Programa de Desenvolvimento Econômico de Valinhos, fizemos leis para atrair empresas, demos muitos incentivos fiscais, o que trouxe várias companhias, porém nossa área está se esgotando. Assim, o próximo passo é a aprovação, pela Câmara Municipal, de uma lei de zoneamento que permita a compra desse terreno para trazer mais espaço para as empresas de logística. Esse terreno é a última grande chance do município: se não conseguirmos a aprovação, o poder público corre o risco de, em cinco ou seis anos, não ter receita para cobrir as despesas. Se conseguirmos esse terreno, nós poderemos gerar um segundo programa, que seria inspirado no Prodeval.
Qual é a expectativa de geração de empregos com a construção desse espaço destinado a empresas de logística?
Seriam gerados cerca de cinco mil empregos. Não seriam indústrias, porque os barracões geram ISS [Imposto sobre Serviços], que é um imposto municipal, e as indústrias geram ICMS [Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestações de Serviços], que demora muito para voltar para o município. Há muitas empresas interessadas em se instalar no município, inclusive empresas multinacionais. Nós só precisamos conseguir o espaço.
O senhor tem previsão para a construção deste parque logístico?
Vamos enviar em um mês o projeto à Câmara Municipal. E neste ano ele terá de ser votado, seja aprovado ou não.
Quais são os maiores atrativos da cidade para empresários?
Temos atrativos naturais da região. A cidade tem grande facilidade de acesso pelas Rodovias Dom Pedro e Anhanguera, e um sistema de logística que propicia a vinda de empresas. Há o Aeroporto de Viracopos, em Campinas, que aumenta cada dia mais o seu potencial de carga. Tudo isso ajuda Valinhos. A cidade tem muito potencial, mas não soube aproveitar e ficou pra trás.
Por que o senhor acredita que a cidade não soube aproveitar o seu potencial?
Não houve políticas suficientes, faltou interesse. Os outros municípios tinham legislação de incentivos para a vinda de empresas. Ali não tinha nenhuma política, a cidade ficou atrasada, ficou para trás.
Qual foi o aumento do potencial de carga do Aeroporto de Viracopos?
Não tenho muitos detalhes, mas o Aeroporto de Viracopos vem crescendo. Empresas utilizam muito o aeroporto, que está a apenas 20 minutos do centro de Valinhos. Nós somos beneficiados por isso. O município está preparando um espaço para estoque perto do aeroporto, pois, na hora em que as cargas chegam, elas ficam estocadas por uma noite na cidade até serem levadas ao seu destino, e o município fatura apenas pelo fato de o produto ter dormido na cidade.
Qual é o orçamento municipal de 2009?
A previsão é de R$ 192 milhões. A arrecadação estava melhor, mas a crise deu uma estancada. Quando eu assumi a prefeitura, a receita era de R$ 103 milhões. Eu fui reeleito com uma receita de R$ 190 milhões, um acréscimo de 85%.
A que o senhor atribui este superávit do município?
A dívida da população com a prefeitura estava muito grande. A prefeitura não cobrava impostos de estoques, por exemplo, e eu consegui levantar dinheiro de IPTU e ISS. Além disso, o setor de serviços cresceu muito em função do Prodeval.
Por: Priscila Yazbek