Sinalização na Marginal do Tietê fica precária com as obras

A obra de ampliação da Marginal do Tietê, iniciada em junho, bagunçou a sinalização tanto de novos quanto de antigos trechos da via. Em alguns pontos há placas demais e, em outros, de menos. É comum encontrar motoristas retornando de ré por terem entrado em acessos errados ou corrigindo manobras bruscamente. Caminhoneiros de outras cidades se perdem frequentemente e carros fecham uns aos outros.
Procurada, a empresa Desenvolvimento Rodoviário (Dersa), responsável pela obra, não respondeu às perguntas da reportagem sobre o sistema de sinalização.

A situação é ainda pior à noite: parte da sinalização atual é provisória. As placas, de cor laranja e letras de cor preta, são difíceis de enxergar a distância. “Elas não são refletivas. Se não prestar atenção, você passa direto. Quem não conhece a Marginal acaba se perdendo”, afirma o motorista Marcos de Freiras, de 28 anos.

Em vários pontos, saídas construídas como parte da ampliação das pistas não dispõem de sinalização com o destino final daquela faixa. “A obra de ampliação está ficando boa. Mas a sinalização das novas faixas está confusa”, afirmou o caminhoneiro Durval Moura, de 32 anos. Há locais onde as faixas se dividem em grupos de duas ou três pistas.

“Se tivessem mais placas, ajudaria muito, principalmente quem anda pela Marginal pela primeira vez. Além disso, tem placa que só avisa quando o motorista está em cima da entrada. Aí as pessoas acabam se perdendo”, aponta Thiago José de Pieri, de 26 anos, motoboy. O problema citado por ele ocorre, por exemplo, no acesso da pista local para a Rodovia dos Bandeirantes, no sentido Castelo Branco. Há uma placa apenas na boca da entrada. Quem não conhece o local não consegue se preparar com antecedência para utilizar o acesso sem provocar transtorno aos demais motoristas.

Para “forasteiros” a sinalização atual é sinônimo de transtorno. “Está muito ruim circular pela Marginal”, afirmou ontem o caminhoneiro Alex da Silva, de 32 anos. Ele chegou no mesmo dia de Cabo Frio, no Estado do Rio, pela Rodovia Presidente Dutra, e não costuma passar pela Marginal. Para acertar o caminho e chegar à Castelo Branco, foi obrigado a pedir informação a um motoboy.

Em vários pontos, o problema é o excesso de sinalização. Antes da Ponte do Tatuapé, no sentido da Rodovia Ayrton Senna, quatro placas informam como acessar as Rodovias Presidente Dutra e Ayrton Senna, a Avenida Salim Farah Maluf e a Ponte do Tatuapé. Elas estão a poucos metros umas das outras, indicando a mesma direção. Os motoristas reclamam que, a 90 km por hora, limite de velocidade na Marginal, torna-se difícil ler a tempo para executar a manobra correta, sobretudo se houver necessidade de mudança de faixa.

Noutros trechos faltam placas. As que indicam a velocidade máxima permitida na via, aliás, sumiram: anda-se quilômetros sem ver nenhuma sequer. Há vários radares sem sinalização indicativa da presença deles, conforme determina o Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Há ainda placas cobertas por galhos ou sujas.

Mais um trecho – Hoje, a Desenvolvimento Rodoviário S.A. (Dersa) entregará mais cinco trechos da nova pista da Marginal do Tietê. Ao todo, são 6,6 km. Quatro das novas pistas estão no sentido da Ayrton Senna e a quinta no da Castelo Branco. A obra completa deve ser entregue até 27 de março.