Prefeitura de São Paulo quer ampliar restrições a caminhões
Com a entrega do Trecho Sul do Rodoanel, prevista para 29 de novembro próximo, a Secretaria Municipal de Transportes de São Paulo anunciou que pretende proibir a circulação de caminhões na Avenida dos Bandeirantes e ainda restringir o tráfego desses veículos nas marginais Tietê e Pinheiros, importantes vias de acesso aos motoristas com destino ao Porto de Santos. Para autoridades e empresários do setor de transportes, a decisão é desnecessária e até mesmo precipitada.
O secretário paulistano de Transportes, Alexandre de Moraes, ainda não definiu detalhes sobre as restrições. No caso da Marginal Pinheiros, não está certo se elas serão em período integral ou somente durante o dia.
Na Tietê, Moraes mencionou que os caminhões podem deixar de circular em determinados horários do dia — atualmente eles obedecem a um sistema de rodízio de placas nos horários de pico. Para isso, ele solicitou um estudo de impacto, para determinar qual o melhor período para aplicar a restrição, e um levantamento de origem e destino dos caminhões, para saber quem roda somente dois ou três quilômetros na Tietê. Nesse caso, ele mencionou que poderá construir uma via alternativa.
Já para a Avenida dos Bandeirantes, os planos são mais rígidos. “Não vão mais passar caminhões. Com o Rodoanel, não há nada que explique caminhão na Bandeirantes”, destacou Moraes.
Para o diretor de Infraestrutura e Execução de Obras da Codesp, Paulino Moreira Vicente, “em relação aos caminhões vindos do interior e de outros estados — isso representa mais de 50% do total que passa por essas vias — e que, para chegar ao Porto de Santos, tiverem que passar por São Paulo, a maioria desses veículos será automaticamente desviada para o Rodoanel, com a entrega do Trecho Sul. E isso ocorrerá independente de qualquer medida proibitiva. Eles vão buscar evitar o trânsito sobrecarregado da Capital”.
Sobre os caminhões que são oriundos de terminais e instalações nas proximidades das marginais, Vicente disse que a nova medida poderá trazer problemas no acesso ao cais santista. “Temos uma série de indústrias e transportadoras que demandam o Porto de Santos e estão mais próximas das marginais que do Rodoanel. Nesse caso, é evidente que eventuais restrições de uso vão trazer dificuldades na chegada ao complexo, por uma questão de tempo de circulação. Porém, ainda é cedo para falar em prejuízo, pois não foram definidas as medidas que serão tomadas”.
PRECIPITAÇÃO
Para o presidente do Sindicato dos Caminhoneiros da Baixada Santista e Vale do Ribeira (Sindicam), José Luiz Ribeiro Gonçalves, a medida é precipitada. “Eu acho que a Prefeitura está se precipitando, pois, com o Rodoanel, a situação já será mais favorável e haverá menos trânsito naquela região. Ninguém entra em congestionamento porque quer, apenas por necessidade. Todos devem optar pelo Rodoanel, a não ser que seja preciso utilizar outras rotas”.
Gonçalves destacou que as restrições apresentadas pelo secretário vão aumentar o valor do transporte, além de prejudicar empresas da Capital. “Os caminhões estão aumentando o tamanho para baratear o custo e essas medidas vão na contramão”. O sindicalista explicou que as transportadoras terão que disponibilizar dois veículos para o transporte de uma mesma carga, sendo um deles de menor porte para ter acesso às regiões com proibições.
INDIGNAÇÃO
O presidente do Sindicato das Empresas de Transporte Comercial de Carga do Litoral Paulista (Sindisan), Marcelo Marques da Rocha, demonstrou indignação diante da proposta da Prefeitura. “Há apenas uma previsão de que o Rodoanel fique pronto em novembro e eles já lançam novas proibições. Ninguém em sã consciência, se tiver trânsito livre, vai querer pegar uma Bandeirantes esburacada, cheia de rastro de caminhão, com o asfalto derretido”.
Segundo Marques da Rocha, o secretário deveria oferecer um incentivo para que as firmas localizadas nas marginais se transferissem para outras regiões. “Se ele quer planejar, que organize transferir essas empresas, ofereça incentivo para elas saírem dos locais que sofrerão restrições de passagem”.
Pedágio
O juiz Rômolo Russo Júnior, da 5ª Vara de Fazenda Pública, suspendeu a cobrança de pedágio nas 13 praças do trecho Oeste do Rodoanel. A decisão deve ser publicada hoje no Diário Oficial. Conforme a Agência de Transportes do Estado de São Paulo (Artesp), “em uma análise preliminar”, a sentença “não tem efeito prático”. Isso porque a cassação em janeiro, pela Procuradoria Geral do Estado, de uma liminar que pedia a suspensão da cobrança do pedágio – valeria até o fim do processo, isto é, até a sentença final.
Por: Lyne Santos