PF tem nova estrutura para combater roubo de carga

Anunciando uma nova estrutura para o combate ao roubo de carga, a nova delegada da Divisão de Repressão a Crimes contra o Patrimônio (Dpat) da Polícia Federal, Dominique de Castro Oliveira, foi recebida com entusiasmo pelos transportadores presentes nesta terça-feira no Seminário “Segurança no Transporte Rodoviário Nacional e Internacional de Cargas”, realizado na sede da NTC&Logística, em São Paulo.
Dominique, que assumiu o cargo em 15 de outubro, contou que agora são cinco delegados lotados na divisão para realizar o trabalho que, até então, era conduzido somente pelo colega Antonio Celso dos Santos. Ressaltando que não foi ao evento para “fazer promessas”, ela admitiu que o roubo de carga tornou-se um “monstro” contra o qual, por falta estrutura, a PF ainda não conseguiu lutar.

Implantar na Dpat o Serviço de Análise de Dados de Inteligência Policial (Sadip), capacitar os agentes para o trabalho na área de transporte e logística e estruturar uma rede de informação em todo o País até 2011 foram as metas traçadas pela delegada. “Queremos que todas as ocorrências sejam sedimentadas numa mesma rede”, explicou.

Outro convidado para o seminário, o chefe da Divisão de Combate ao Crime da Polícia Federal, inspetor Giovanni Di Mambro, chamou a atenção para o crime de receptação e a eficiência das quadrilhas de roubo de carga. Ele mostrou que a grande maioria das ocorrências atendidas neste ano pelo órgão é registrada em dias úteis e horários comerciais. “As quadrilhas atuam em sistema just in time”, alegou. “Os crimes são sob encomenda. A pessoa (receptador) pede uma carga de tantas telhas galvanizadas de 2 metros e 10 centímetros por 80 centímetros”, exemplificou.

Segundo o inspetor, das 328 ocorrências atendidas em 2009, houve recuperação de cargas em 145 casos. Foram presas 171 pessoas e registradas 8 mortes nestas operações. Giovanni lamentou que o atual efetivo da PRF seja menor que o de 1980. Coordenador do seminário, Paulo Roberto de Souza, o coronel Souza, revelou que, no ano passado, foram registradas 12.400 ocorrências em todo o País, um número 6% superior ao de 2007.