Perdas e preços mais altos

“Esperamos recuperar o tempo perdido até o fim da semana”, disse Antonio Archilha, da Argius.

Um dos setores que mais sofreu com os alagamentos e congestionamentos provocados pela chuvas ontem em São Paulo foi o de transportadoras. De acordo com estimativa do presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Carga de São Paulo (Setcesp), Francisco Pelucio, das 6 horas às 13 horas, 80% de uma frota de 20 mil caminhões ficaram sem fazer entregas na capital. A interrupção do trabalho causou grandes prejuízos para as empresas.

As perdas estão mais relacionadas aos gastos para compensar as entregas que não foram feitas do que com punições contratuais, já que a situação foi de emergência na capital paulista. Os planos das transportadoras para os próximos dias devem envolver gastos adicionais com mais carros nas ruas e pagamento de horas extras para os funcionários.

O presidente da entidade afirmou que ontem os clientes que vendem confecções, equipamentos eletroeletrônicos e brinquedos foram os mais prejudicados por atrasos ou não cumprimento de entregas, já que trabalham com produtos de grande demanda nesta época do ano. “Nesse período, as transportadoras trabalham no limite por causa das entregas para o Natal. De setembro para dezembro, houve um crescimento de 30% nas encomendas. E, nessa situação, um dia perdido reflete no atendimento e na logística ao longo de toda a semana”, disse. A cidade de São Paulo tem cerca de 7 mil empresas de transporte de carga – a maioria utiliza as marginais Tietê e Pinheiros.

Garagem – Uma das transportadoras prejudicadas pela chuva foi a Via Pajuçara, com sede em Guarulhos, na grande São Paulo. “Foi um dia perdido para nós. Optamos por deixar 80% dos nossos 90 caminhões na garagem, já que o deslocamento para São Paulo era inviável. Agora é torcer para não chover forte nos próximos dias”, afirmou Altamir Cabral, diretor da empresa, que tem como clientes shoppings, lojas de rua e atacadistas.

Para minimizar os prejuízos e atender a demanda, a transportadora decidiu que seus funcionários trabalharão um dia a mais nesta semana. “Também colocaremos mais veículos nas ruas”, afirmou. Essa medida, segundo Cabral, trará gastos adicionais, como pagamento de horas extras aos funcionários e despesas com os caminhões.

Outra empresa transportadora que contabilizou prejuízo, de R$ 7 mil, foi a Argius Transporte. Entre 7 horas e 9 horas da manhã, 40 dos 75 caminhões da empresa ficaram parados nos congestionamentos das marginais. Assim como a Via Pajuçara, a empresa terá um reforço de 20 carros nas ruas hoje para tentar cumprir prazos de entrega. “Geralmente, em entregas agendadas, somos multados se não conseguirmos cumprir os prazos determinados. Mas, no caso de ontem, como a situação foi causada por motivos naturais, não somos punidos. Esperamos recuperar o tempo perdido até o final da semana”, destacou o diretor da Argius, Antonio Archilha.

André Alves – Diário do Comércio