O pedágio e a falta de alternativas.
A notícia da redução dos valores do pedágio nas praças de cobrança na chegada a São Paulo pela rodovia Castello Branco, que liga a capital à região Oeste do Estado poderia ter sido bem recebida pelo setor se não viesse acompanhada do fato de que as pistas expressas, nos dois sentidos, passarão a ter a cobrança também. É claro que o programa de concessões traz uma série de melhorias para as rodovias, visto que as estradas paulistas concedidas foram consideradas as melhores do País, mas, com o início da cobrança nas pistas expressas da Castello Branco nas regiões de Osasco e Barueri, os motoristas perdem a opção de chegar a São Paulo sem pagar o pedágio.
A oneração dos pedágios nos custos do transporte rodoviário de cargas é um problema sério. Os contribuintes, sejam pessoas físicas ou empresas, já pagam tributos demais para o erário público sem receber qualquer contrapartida. Assim, para utilizar boas rodovias, tanto os transportadores quanto os motoristas particulares são obrigados a desembolsar dinheiro, aumentando cada vez mais o Custo São Paulo e o Custo Brasil.
O SETCESP é favorável à justa cobrança por serviços de qualidade, mas quer deixar aqui registrada a necessidade de haver rotas alternativas às viagens, em que não seja preciso pagar o pedágio. A Cide, por exemplo, que é um tributo pago por todos os que abastecem seus veículos, incidente sobre cada litro de combustível, com recursos destinados às rodovias e obras de expansão e adequação da malha viária, mas o que se vê é a não aplicação destes recursos, que ficam engordando os cofres do governo sem trazer benefícios para a sociedade.
No Rodoanel, uma das mais importantes obras viárias do País, o problema dos pedágios também se faz presente. O projeto nunca previu que o anel viário tivesse praças de cobrança, mas o governo do Estado permitiu que a concessionária as construísse e a cobrança já é uma realidade no Trecho Oeste. No Trecho Sul, que deverá ser inaugurado em março, o pedágio também virá.
O setor produtivo e principalmente o transporte rodoviário de cargas já arcam com uma pesada carga tributária sem ter qualquer contrapartida e os pedágios vêm só para engrossar esta conta, que fica cada vez mais alta.
Deveriam pensam em dar alternativas para os usuários, ao invés de instalar cada vez mais praças de cobrança nas rodovias.