Obra na marginal sufoca vias de bairros

Moradora de uma rua erguida sob a várzea do Rio Tietê, na parte baixa da Vila Maria, Eva Sandra da Silva, de 59 anos, acordava até a semana passada com a cantoria de passarinhos – situação bem diferente das filas de carros que hoje buzinam desde as 6 horas na frente de sua casa. A rua de Eva foi adotada por motoristas como uma das rotas alternativas à Marginal do Tietê e às pontes interditadas para as obras na via.

Os desvios em cinco pontes, ao longo de 14 dos 23 km da Marginal, tornaram ruas residenciais estreitas em rotas alternativas para parte de 1,2 milhão de veículos que passam todos os dias pela via. Taxistas, caminhoneiros e motoristas vão descobrindo caminhos paralelos aos indicados pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). As rotas passam por ruas residenciais de seis regiões: Vila Maria, Santana, Casa Verde, Freguesia do Ó, Barra Funda e Lapa.

A empresa Desenvolvimento Rodoviário S.A. (Dersa), responsável pela obra de ampliação, indica 18 caminhos para quem quer fugir dos transtornos causados pelos desvios. Auxiliados por emissoras de rádios e por aparelhos de GPS, motoristas também tentam cortar bairros inteiros, na tentativa de não ficar parados no trânsito. E é assim que eles passam diante de sobrados como o da moradora da Vila Maria, na Rua Luís Felipe de Orleans. “Todo dia abro minha janela às 6h e já tem uma fila de carros. O asfalto da rua está até afundando”, lamenta Eva. A rua é usada principalmente por quem quer escapar do trânsito causado pelas interdições nas Pontes das Bandeiras e da Vila Maria.

Na zona oeste, ruas estreitas da Barra Funda, ocupadas só por casas e alguns poucos edifícios, passam o dia entupidas de veículos que tentam escapar da interdição na Ponte da Casa Verde. Como a Avenida Rudge, principal saída para a marginal, está sempre congestionada por causa dos desvios na ponte, os motoristas começaram a usar pequenas ruas transversais para escapar pelo corredor da Marquês de São Vicente. ‘Labirinto’ – “A Barra Funda ficou intransitável, parece um labirinto. Você entra numa rua livre, pensando que corta caminho, e logo adiante já fica preso de novo no trânsito”, conta o médico João Bini Cano, de 41 anos. Do outro lado do rio, na Casa Verde, na parte baixa do bairro, ruas com casas ocupadas por moradores antigos, como a Zanzibar e a Iapó, também foram invadidas após os desvios.

A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) admite ter constatado aumento no volume do tráfego em ruas usadas como rotas alternativas à Marginal do Tietê, mas não divulgou números comparativos do trânsito antes e depois da adoção dos desvios.

Com 30 km de filas nos horários de pico, a marginal responde por 20% a 27% de toda a lentidão média registrada diariamente na capital. As interdições devem durar até fevereiro de 2010.

Novas pistas – Novos trechos da pista central da marginal serão abertos ao tráfego na segunda. Juntos somam 6,5 km de extensão nos dois sentidos

São previstas mais três datas para liberação dos novos trechos. Serão mais 6,2 km liberados no dia 14 de janeiro, 9,6 km em 28 de fevereiro e outros 4,1 km, em 27 de março. A finalização da obra deverá ocorrer em setembro.