Obra piora lentidão em 31% na Marginal

A interdição parcial de três pontes na Marginal do Tietê fez o índice de lentidão da via mais congestionada de São Paulo aumentar 31% ontem durante o horário de pico da manhã – na comparação com as terças-feiras deste semestre. Embora o congestionamento na capital tenha piorado 25% ontem no período entre picos (das 12h às 16h), a CET afirma que pela manhã a capital registrou uma melhora de 1% na lentidão. O monitoramento da companhia, no entanto, não atinge as vias sugeridas como rotas alternativas, onde houve muita reclamação por parte de comerciantes e moradores.

“Essa é a parte mais complicada da operação (obras de ampliação da Marginal), porque afeta quem precisa cruzar o rio. E não existe caminho alternativo para isso (cruzar o rio)”, disse o secretário municipal dos Transportes, Alexandre de Moraes. A Marginal do Tietê apresentou congestionamento ao longo de praticamente todo o dia. Os índices de lentidão estiveram na casa de 14 km só na pista local – metade da via -, mesmo nos horários tradicionalmente mais calmos, como entre 12 e 16 horas. O ponto mais problemático foi próximo da Ponte da Casa Verde, uma das interditadas, que também teve os acessos fechados, confundindo muitos motoristas, que foram pegos de surpresa.

“Nós fechamos os acessos para evitar que a ponte fosse sobrecarregada por quem sai da Marginal, uma vez que ela já está com menos faixas”, disse Moraes. Ele acrescenta que a Casa Verde recebe em média 1,2 mil veículos por hora em cada uma das faixas, índice que os técnicos da CET pretendiam manter para não provocar congestionamentos nos dois sentidos da travessia. Ao contrário do que se esperava, pela manhã o sentido mais problemático foi o do bairro, uma vez que somente uma faixa era usada para os motoristas nessa direção.

Paciência – Às 19 horas, a Marginal parou no sentido Castelo Branco. A reportagem levou uma hora para ir da Ponte do Aricanduva até a do Tatuapé, distantes três km uma da outra. Além dos reflexos na via principal, as interdições travaram ruas e avenidas que cortam os bairros da zona norte da capital. Quem optou por rotas alternativas precisou de paciência com os semáforos – em média, um a cada 500 metros. Segundo as medições da CET, a Ponte Cruzeiro do Sul foi a que mais recebeu motoristas “migrantes” de outras pontes no período da manhã. A velocidade dos ônibus no sentido bairro, por exemplo, foi a que apresentou a maior queda, de 5,7%. A Ponte da Freguesia, ao contrário, registrou uma melhora de 5,3% na velocidade dos coletivos.

A Rua Maria Cândida, na Vila Maria, zona norte, foi uma das que apresentaram congestionamento acima da média. O microempresário José Márcio Vidal, de 37 anos, levou 40 minutos para fazer de ônibus um trajeto que seria concluído em menos de 10 minutos. “Além de ser uma avenida com muito comércio, passa no meio de um bairro residencial, que não tem capacidade de absorver essa demanda.”

O congestionamento atípico na Maria Cândida foi identificado pela CET, que decidiu proibir a partir de hoje o estacionamento entre a Praça Oscar da Silva e a Rua Miguel Mentel. A Rua Alfredo Pujol, em Santana, também na zona norte, foi outra que absorveu parte do tráfego.

Avaliação – Para o engenheiro de tráfego Alexandre Zum Winkel, só será possível avaliar o impacto das interdições daqui a duas semanas. Ele acredita que os resultados do primeiro dia foram influenciados por fatores psicológicos, pois os motoristas avisados do problema devem ter evitado alguns caminhos ou optado por transporte público. “Não dá para chegar a uma conclusão só analisando os índices porque o volume de veículos pode ter sido menor ontem.”