Flávio Benatti: União de empresas de transporte marca uma nova era no setor
Este ano o setor de transporte de cargas presenciou algumas mudanças no rumo dos negócios das empresas. Grandes transportadoras aproveitaram o momento de crise econômica para se reinventarem, vendendo, comprando ou unindo-se a outras empresas. Para exemplificar, podemos citar duas grandes movimentações que foram a compra da Expresso Araçatuba pela holandesa TNT e a fusão das cinco empresas – Ajofer, Fantinati, Transvec, Trans-Postes e Mestra Log – para a formação da Trafti. Neste segundo caso, inédito no país, evidencia-se a competência dos diretores em abrir mão da estabilidade presenciada em cada transportadora, para arriscar em um novo negócio e fornecer ao mercado um novo modelo de negócio, mais amplo e diversificado.
Essa tendência, benéfica ao mercado, faz com que as empresas se tornem cada vez mais profissionais e desenvolvidas, melhorando o setor e diversificando suas atividades. A Trafti já nasce com ampla experiência em diversos setores do mercado, como a logística pura e simples e o transporte de diversos segmentos, como carga seca, produtos farmacêuticos, perigosos e armazenagem. Se unirmos os anos de experiência de cada empresa a nova marca já conta com mais de um século de experiência. Para que a união ocorresse, foram dedicadas mais de quatro mil horas de reuniões para moldar, da melhor maneira possível, uma empresa completa e moderna de transporte e logística.
Os números vinculados à empresa também impressionam: faturamento de R$ 250 milhões, mais de 20 filiais nos estados do sul e sudeste, mil colaboradores, área operacional de mais de 250 mil m², uma cartela de clientes superior a 500 empresas, mais de mil equipamentos, previsão de faturamento de R$ 400 milhões em cinco anos e já está entre as 10 maiores operadoras logísticas do país.
Fusões e compras de empresas são importantes para o desenvolvimento do mercado nacional, possibilitando a sobrevivência das empresas em um mercado globalizado. É fundamental que transportadoras e operadoras logísticas percebam que ainda há muito espaço para crescimento, pois apenas 5% desse mercado está coberto por empresas especializadas, que movimentam cerca de R$ 115 bilhões por ano. Este é o momento de investir em setores mais carentes de atenção e incentivar o desenvolvimento do setor. Dessa forma todos saem ganhando: as empresas que se unem e se fortalecem, o mercado e o consumidor.
* Flávio Benatti é presidente da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística)