Governo investirá R$ 1,4 bi para triplicar postos de pesagem nas rodovias federais

O governo federal pretende investir R$ 1,4 bilhão em novos Postos de Pesagem de Veículos (PPV) nas rodovias federais e atingir 157 PPVs até 2014. Atualmente, existem apenas 52 postos nos 57 mil quilômetros administrados pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).

O objetivo é forçar a frota a trafegar somente com o peso permitido, diminuindo o desgaste do asfalto, segundo informações do coordenador-geral de operações rodoviárias do departamento, Luiz Cláudio Varejão. No ano passado, o governo gastou cerca de R$ 3,4 bilhões na recuperação de danos causados às rodovias por causa do excesso de carga.

“Além do desgaste excessivo do pavimento, existe ainda a sonegação, que ocorre quando o caminhão declara menos carga e, consequentemente, paga menos impostos”, explica Varejão. No ano passado, o governo arrecadou quase R$ 120 milhões em multas por sobrepeso e aplicou mais de 454 mil autos de infração.

Novos investimentos nessa área não ocorriam há vários anos. Para modernizar e agilizar o processo, o Dnit começou a testar novas balanças, que realizam a pesagem do veículo em alta velocidade. A nova tecnologia deve ser incluída no PAC 2.

O total de veículos flagrados com carga acima da permitida chegou a 460 mil em 2009. Somente nos primeiros 53 dias do ano, já foram aplicadas quase 59 mil multas. Muitos veículos, no entanto, “fogem” dos pontos de pesagem. O número de veículos “fujões” chegou perto de um milhão no ano passado. Alguns deles acabam sendo obrigados a passar pela pesagem, e os demais são multados por não cumprir o processo.

Os números de recondução, no entanto, são tímidos. Ano passado, somente 18 mil dos que escaparam da fiscalização tiveram o peso aferido logo em seguida. O sobrepeso total registrado nas estradas brasileiras chegou a 197 toneladas em 2009.

Apesar de apoiar o reforço da fiscalização do Dnit, as entidades do setor privado fazem ressalvas. A Associação Nacional das Empresas de Obras Rodoviárias (Aneor) e a Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), consideram insuficiente o número atual de centros de controle. É um número “ridículo”, avalia José Alberto Pereira Ribeiro, presidente da Aneor.

Para Ronaldo Vizzoni, gerente de infraestrutura da ABCP, o controle através dos postos é muito difícil de ser realizado, por causa da extensão do território. Segundo ele, a má qualidade do asfalto agrava os prejuízos gerados pelo sobrepeso dos caminhões. Para a Aneor, a retomada dos investimentos na área é uma boa notícia. “Vários projetos cuidam da renovação e manutenção dos pavimentos, mas os veículos precisam trafegar na carga prevista e ajudar na conservação”, diz Ribeiro.

Atualmente, todos os veículos de carga devem sair da rodovia principal e diminuir a velocidade para aferir o peso na balança seletiva. Caso seja detectado excesso de carga, ele deve seguir para um medidor de precisão. No entanto, menos da metade dos veículos são selecionados para a pesagem lenta, a 10 km por hora, onde apenas 9% são multados. Com o sistema de pesagem em alta velocidade, os caminhões somente serão direcionados para as balanças de precisão em caso de excesso de peso.

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