Desvio da Fernão é cheio de buracos

O motorista que sai de São Paulo em direção a Belo Horizonte pela Fernão Dias terá de trafegar por 15 quilômetros em uma estrada vicinal íngreme de pista única, sem acostamento, com trechos esburacados e cheia de curvas. O desvio é necessário por causa do bloqueio total da pista sentido norte da rodovia, causado por uma rachadura na estrutura da ponte no km 77,5, que levará de dois a seis meses para ser reparada.
Esse desvio é o mais óbvio por ter acesso na própria Fernão Dias, dois quilômetros antes do trecho interditado. No local, cones vermelhos de plástico e um funcionário da concessionária que administra a rodovia sinalizam o caminho – uma continuação da Avenida Coronel Sezefredo Fagundes quase paralela à Fernão Dias que vai até Mairiporã, onde é possível acessar novamente a rodovia. Ontem à tarde, a velocidade média no local era de 30 km/h, levando os motoristas a perder quase 30 minutos para chegar ao acesso. Não é recomendado que veículos de grande porte utilizem esse caminho.

Quem dirige ônibus ou caminhão é aconselhado a seguir até Jacareí pela Via Dutra e pegar a D. Pedro I até Atibaia, onde há acesso para a Fernão Dias. A volta acrescenta quase 80 km ao trajeto, o que fez com que os ônibus da viação Cometa que percorrem a linha São Paulo-Belo Horizonte demorassem cerca de uma hora a mais nas viagens de ontem. Outra opção é seguir pelo sistema Anhaguera-Bandeirantes, seguir pela D. Pedro I também em direção a Atibaia e, então, pegar a Fernão Dias. Nesse caso, o desvio é cerca de 85 km mais longo que o caminho normal. Já no sentido Belo Horizonte-São Paulo, o trânsito flui normalmente em duas pistas e não há necessidade de desvios.

Rachadura – A interdição na pista começou na sexta-feira, quando um deslizamento de terra no barranco onde está apoiada a estrutura da ponte provocou o deslocamento de um dos pilares de sustentação. Como consequência, uma rachadura apareceu do lado de baixo da rodovia e, no trecho mais problemático, a pista sentido norte acabou inclinando lateralmente.

“Serão no mínimo dois meses para liberar o tráfego sentido norte, na hipótese mais otimista, se precisarmos só reforçar o pilar que se deslocou. Mas se chegar a um ponto em que os pilares continuem se deslocando e for preciso refazer toda a estrutura, pode demorar até seis meses”, explica o diretor da concessionária, Omar de Castro Ribeiro Júnior.

Enquanto o laudo geotécnico não apontar a decisão mais acertada para o trecho, máquinas trabalham no local retirando duas das pistas no outro sentido, como uma maneira de aliviar o peso sobre o viaduto e evitar danos maiores na estrutura. Como agora só restaram duas faixas livres no sentido São Paulo, a concessionária descarta fazer qualquer tipo de inversão de sentido ou operação pare-e-siga.

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